sexta-feira, 31 de julho de 2015

Silêncio

Na sua ausência
Me encontro
Fria, partida
Em estilhaços

O mofo nas paredes
Gritam silenciosamente
A minha angústia

Silêncio, silêncio
Abrindo e fechando a porta
O silêncio incomoda

Te vejo milhares de vezes
Todos os dias
Nos barulhos de carro
Que cruzam essa rua

Mas o quarto
Todo morto da sua ausência
Me avisa
Você não vai cruzar essa porta.

(Gonesa Gonçalves)

Germinação

A fusão entre
Primavera e inverno
Estreita-se de cócoras.

Olhos d'água
Banham as flores
Que brotam
Sob o aroma secundina,
Espalhando pelo jardim
Novas estações.

(Lidiane Ferreira)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Preto innatura


Se todo dia tem preto e branco,
Mas a manhã e a tarde sempre vêm antes da noite;
Se toda fruta é colhida em cores vivas,
mas vai ficando cada vez mais preta na medida em que apodrece;
E se o dia, quando chove muito, sempre escurece;
Se a cor preta é sempre a dor do luto,
O passado se revela obscuro quando se morre moço
Se o sangue quando se torna negro é sinal de veneno
E é sempre escuro o fundo do poço...
Fui perguntar à mãe natureza:
- Porque, minha mãe, o mais claro sempre em primeiro lugar
E que tudo de ruim tende a ser preto?
Ela diz que é assim mesmo, a lei natural das coisas...
E que, o que de dia é muito belo, à noite é bem perigoso...
Já o preto velho diz que não...
               
                        ***

“Mô fio, o preto da frurta pôde aduba e inriqueurce o solo;
O dia iscuro, que anuncia a forte chuva, resfresca a nossa pele;
O preto do lurto é tomém um sinar de rerpeito;
O sangue tem que tá mermo negro, pegar cor mair forte,
pra alertar, antes da morte, a presença do veneno, etc...
Tú vê, mô fio?”
 - O quê, pai véio?
“Poi veja: o valor e a ordim de cada cor
depende muntio da nossa prórpia nartureza,
Não que seja de negrume ou brancura,
A verdadera beleza, pra mim, era a mistura,
a harmonia, a igardade pura, entre todas ela...”
                         
                      ***

Nunca hei de esquecer
essas palavras que ouvi do preto velho...
Um dia há de acontecer
Isso que ele tanto queria...

(Fábio Cunha)

Enegrecer-se


É o negro que desce nas ruas,
tomadas, lavadas, quebradas...
Preto que corre de dia e de noite
à conquista do pão,
Tomado de consciência,
lavado de resistência,
quebrado da luta,
São as ruas desse negro,
cujo pão é mais que alimento,
é ação!!!!!
É suor que escorre dos olhos,
lacrimeja sua história
e refresca a memória...
Sua conscientização!!!!
Se a realidade é assim tão branca,
o verdadeiro ser negro
é quem há de lhe em-pre-te-cer!
Nesse belo processo até mesmo o branco
pode sim, se enegrescer,
Porque não?!
Pensamento pequeno que se engrandece,
o preto outrora pobre, que se enriquece,
do pão e da essência.
Do Apartheid ao estandarte,
O lutar é coletivo,
Nesse espaço do qual faz parte
Onde tudo é só um motivo
pra lhe calar ciência,
A mais pura arte,
cada vez mais presente
Do ser negro, a vivência,
Do estar negro, a consciência,
Da sua cor, da sua luta, a sua crença,
O mais nobre e insaciável sentimento:
ENEGRESCÊNCIA!!!!

(Fábio Cunha)

sábado, 18 de julho de 2015

Ternura

Quando andamos pelas ruas
Vemos ensurdecedores olhares...

Nossos pés:
Descalços
Afastados
Repugnados
Por alvos sorrisos...

Não queremos mortíferas compaixões!

De mãos dadas
Construímos a nossa própria ternura.

(David Alves Gomes)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

REGISTROS DO SARAU ENEGRESCÊNCIA - EDIÇÃO MAIO

Registros do Sarau Enegrescência, edição do dia 23/05/2015. Neste dia estava prevista a presença do escritor Nelson Maca, lançando o seu livro Gramática da Ira. Contudo, por problemas pessoais, o escritor não pôde comparecer, informando que iria agendar uma nova data para participação no nosso sarau.


REGISTROS DO SARAU ENEGRESCÊNCIA - EDIÇÃO ABRIL

Registros da edição do dia 18/04/2015 do Sarau Enegrescência, na Casa de Angola Na Bahia. Além dos recitais poéticos, tivemos a presença da esteticista afro Iachas Camime Machado que bateu um papo sobre a estética afro. Agradecemos à Camime e aos presentes