Minha beleza não está à venda
No seu mercado negro.
Meu nome: risquei, com tinta preta,
Da sua lista negra.
Minha alma não cabe em sua igreja.
A música não está em meu sangue,
O ritmo não percorre minha veia,
Mas estão, contudo,
Em lugar mais profundo
Do que alcançam seus olhos
De colonial descoberta.
Tenho raízes onde a Humanidade começa
E guardo segredos desde o ventre
De uma memória ancestral
No entanto: presente
Que quando feita a verdadeira descoberta
Desaparecerá como fantasma
E ressurgirá,
Das cinzas maquinais,
Maior e melhor semente.
Fui o passado, serei o futuro.
Estou, pois, desde sempre, presente.
Nem tentem me apagar,
Não conseguirão me diluir.
Minha negritude agora pulsa em corações
Outrora colonizados por seu sangue azul.
E se um dia me foram trancadas as portas da história,
Hoje abro as do futuro,
Pois cada verso é um brado, de alegria
Por um mundo tão claro quanto escuro.
(Madiba do Brasil)
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Crise do Preto-Óleo Brasileiro
Marcha a rua a marcha fúnebre
Reta, certa, seta, meta do progresso
Corta, carne, corta, corta, célere
Corta, corta, o preto-pobre-verde-amarelo abscesso.
Sangra a rua, verde e amarela,
Mancha o sangue vermelho-preto
A bandeira hasteada na ferida-favela:
Ordem, progresso e medo.
Ordem, progresso, medo.
Bem à frente, sempre acima,
O Exército das Pessoas de Bem:
Expurga da Nação o sangue que a contamina!
Corta, corta, preto, pombo, sujo, ninguém.
Enquanto avança a máquina movida a preto-óleo (vermelho)
Nas senzalas, há 500 anos, ecoa o silêncio
Com que o negro-bom-trabalhador se olha no espelho,
Branco alterego de si mesmo: venho, vejo, venço.
E roda a roda, rola a bola, toca, cúmplice, ao pé do artilheiro
A escolha inadiável, pro delírio da torcida, a artilharia:
Gol! Gol! Gol! Gol! 12 gols na rede do dia-a-dia,
12 corpos (negros, vagabundos) ao chão do terreiro.
É com imenso pesar, que das valas coloniais,
Anuncio do futuro, o retorno do Impossível:
O espectro guinal de um negro vagabundo – invencível!
Banhando de sangue Negro afro-corações imortais.
(Madiba do Brasil)
Reta, certa, seta, meta do progresso
Corta, carne, corta, corta, célere
Corta, corta, o preto-pobre-verde-amarelo abscesso.
Sangra a rua, verde e amarela,
Mancha o sangue vermelho-preto
A bandeira hasteada na ferida-favela:
Ordem, progresso e medo.
Ordem, progresso, medo.
Bem à frente, sempre acima,
O Exército das Pessoas de Bem:
Expurga da Nação o sangue que a contamina!
Corta, corta, preto, pombo, sujo, ninguém.
Enquanto avança a máquina movida a preto-óleo (vermelho)
Nas senzalas, há 500 anos, ecoa o silêncio
Com que o negro-bom-trabalhador se olha no espelho,
Branco alterego de si mesmo: venho, vejo, venço.
E roda a roda, rola a bola, toca, cúmplice, ao pé do artilheiro
A escolha inadiável, pro delírio da torcida, a artilharia:
Gol! Gol! Gol! Gol! 12 gols na rede do dia-a-dia,
12 corpos (negros, vagabundos) ao chão do terreiro.
É com imenso pesar, que das valas coloniais,
Anuncio do futuro, o retorno do Impossível:
O espectro guinal de um negro vagabundo – invencível!
Banhando de sangue Negro afro-corações imortais.
(Madiba do Brasil)
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