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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Iiiihh! Enjoei!

Ora vento, ora brisa, ora vendaval!
Ora bikinis, ora burca!
Ora eu, ora ela!
Ai ai ai ai! Cansei!
Hoje quero ser Alberta,
Uma filha de Ossain, rica e bela;
Decidida. Iluminada. Resolvida.
Rara. Não vira no santo à toa.
Com ela é preto no branco e branco sobre todas as cores.
Quero ser responsável, estável, imutável, incorruptível.
Quero ser Alberta.
Mesmo que às vezes me sinta Betinha.
E queria ser apenas uma menina
sem nenhum compromisso.

Ai ai, Betinha minha,
moça das folhas,
deixe espaço para quando eu queira voltar a ser Julinha.

(Júlia Couto - Ogum's Toques Negros: Coletânea Poética, 2014, p. 128)

Na sedutora noite preta

Preparei-te o jantar.
Desta vez, não resmunguei.
Quis fazer esse papel.
Não me tirou o brio,
tampouco o dever de banhar-me para ti;
fiz questão disso, como tantas mulheres.
Nada me difere das amigas apaixonadas
Que se rasgam de amor
Dos suspiros e olhos revirados
Até o tremular de emoção ao ouvir sua voz rouca na minha nuca
Preparei o jantar e o coração
E não me envergonho ou me arrependo.
Sou muito mulher pra ser sua e ser minha até o talo,
para ser feliz aos bocados
Aproveitando cada garrafada, cada bebericar de vinho,
fazendo feriado e dia santo das suas piadas,
tirando férias pro nosso suadouro prazer.
Preparei-te o jantar e me aproveitei de você;
te usei nesta noite como em tantas outras,
mas esta seria diferente
Seria apenas o "nós dois" numa noite negra como eu
Com um luar mais brilhante
que meus olhos no seu corpo em êxtase
Aaaahhhh!!!
Amanhã tiro folga e não cozinho pra ninguém!
Faço greve e faço pose até a próxima sedução.

(Júlia Couto - Ogum's Toques Negros: Coletânea Poética, 2014, 125)