Ora vento, ora brisa, ora vendaval!
Ora bikinis, ora burca!
Ora eu, ora ela!
Ai ai ai ai! Cansei!
Hoje quero ser Alberta,
Uma filha de Ossain, rica e bela;
Decidida. Iluminada. Resolvida.
Rara. Não vira no santo à toa.
Com ela é preto no branco e branco sobre todas as cores.
Quero ser responsável, estável, imutável, incorruptível.
Quero ser Alberta.
Mesmo que às vezes me sinta Betinha.
E queria ser apenas uma menina
sem nenhum compromisso.
Ai ai, Betinha minha,
moça das folhas,
deixe espaço para quando eu queira voltar a ser Julinha.
(Júlia Couto - Ogum's Toques Negros: Coletânea Poética, 2014, p. 128)
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Na sedutora noite preta
Preparei-te o jantar.
Desta vez, não resmunguei.
Quis fazer esse papel.
Não me tirou o brio,
tampouco o dever de banhar-me para ti;
fiz questão disso, como tantas mulheres.
Nada me difere das amigas apaixonadas
Que se rasgam de amor
Dos suspiros e olhos revirados
Até o tremular de emoção ao ouvir sua voz rouca na minha nuca
Preparei o jantar e o coração
E não me envergonho ou me arrependo.
Sou muito mulher pra ser sua e ser minha até o talo,
para ser feliz aos bocados
Aproveitando cada garrafada, cada bebericar de vinho,
fazendo feriado e dia santo das suas piadas,
tirando férias pro nosso suadouro prazer.
Preparei-te o jantar e me aproveitei de você;
te usei nesta noite como em tantas outras,
mas esta seria diferente
Seria apenas o "nós dois" numa noite negra como eu
Com um luar mais brilhante
que meus olhos no seu corpo em êxtase
Aaaahhhh!!!
Amanhã tiro folga e não cozinho pra ninguém!
Faço greve e faço pose até a próxima sedução.
(Júlia Couto - Ogum's Toques Negros: Coletânea Poética, 2014, 125)
Desta vez, não resmunguei.
Quis fazer esse papel.
Não me tirou o brio,
tampouco o dever de banhar-me para ti;
fiz questão disso, como tantas mulheres.
Nada me difere das amigas apaixonadas
Que se rasgam de amor
Dos suspiros e olhos revirados
Até o tremular de emoção ao ouvir sua voz rouca na minha nuca
Preparei o jantar e o coração
E não me envergonho ou me arrependo.
Sou muito mulher pra ser sua e ser minha até o talo,
para ser feliz aos bocados
Aproveitando cada garrafada, cada bebericar de vinho,
fazendo feriado e dia santo das suas piadas,
tirando férias pro nosso suadouro prazer.
Preparei-te o jantar e me aproveitei de você;
te usei nesta noite como em tantas outras,
mas esta seria diferente
Seria apenas o "nós dois" numa noite negra como eu
Com um luar mais brilhante
que meus olhos no seu corpo em êxtase
Aaaahhhh!!!
Amanhã tiro folga e não cozinho pra ninguém!
Faço greve e faço pose até a próxima sedução.
(Júlia Couto - Ogum's Toques Negros: Coletânea Poética, 2014, 125)
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