Em Libreville
não descobri a aldeia do meu primeiro avô.
Não que me tenha faltado, de Alex,
a visceral decisão.
Alex, obstinado primo
Alex, cidadão da Virgínia
que ao olvido dos arquivos
e à memória dos griots Mandinga
resgatou o caminho para Juffure,
a aldeia de Kunta Kinte —
seu último avô africano
primeiro na América.
Digamos que o meu primeiro avô
meu último continental avô
que da margem do Ogoué foi trazido
e à margem do Ogoué não tornou decerto
O meu primeiro avô
que não se chamava Kunta Kinte
mas, quem sabe, talvez, Abessole
O meu primeiro avô
que não morreu agrilhoado em James Island
e não cruzou, em Gorée, a porta do inferno
Ele que partiu de tão perto, de tão perto
Ele que chegou de tão perto, de tão longe
Ele que não fecundou a solidão
nas margens do Potomac
Ele que não odiou a brancura dos algodoais
Ele que foi sorvido em chávenas de porcelana
Ele que foi compresso em doces barras castanhas
Ele que foi embrulhado em chiques papéis de prata
Ele que foi embalado para presente em caixinhas
não descobri a aldeia do meu primeiro avô.
Não que me tenha faltado, de Alex,
a visceral decisão.
Alex, obstinado primo
Alex, cidadão da Virgínia
que ao olvido dos arquivos
e à memória dos griots Mandinga
resgatou o caminho para Juffure,
a aldeia de Kunta Kinte —
seu último avô africano
primeiro na América.
Digamos que o meu primeiro avô
meu último continental avô
que da margem do Ogoué foi trazido
e à margem do Ogoué não tornou decerto
O meu primeiro avô
que não se chamava Kunta Kinte
mas, quem sabe, talvez, Abessole
O meu primeiro avô
que não morreu agrilhoado em James Island
e não cruzou, em Gorée, a porta do inferno
Ele que partiu de tão perto, de tão perto
Ele que chegou de tão perto, de tão longe
Ele que não fecundou a solidão
nas margens do Potomac
Ele que não odiou a brancura dos algodoais
Ele que foi sorvido em chávenas de porcelana
Ele que foi compresso em doces barras castanhas
Ele que foi embrulhado em chiques papéis de prata
Ele que foi embalado para presente em caixinhas