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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Vaga-lume

A noite
— pálida Noite —
são nossos traços
negando fogo.
São gritos de arcanjos
descabelados
violados por Orixás.
Ah Noite!
trago-te oferendas
de palavras
das quais se cantará a vida
dos tombadilhos de América.

(Abelardo Rodrigues - Axé: antologia contemporânea da poesia negra brasileira, 1982)

Reflexão

O poema reflete
principalmente no escuro
E quando reflete, insone,
apetrecha o movimento
da luz.

Não a luz que nasce
a cada dia
em qualquer poente.
Não a luz feita
sob o canhão e o crucifixo
Não a luz dos seis dias…

mas aquela
de Totens
de Olorum.

(Abelardo Rodrigues - Axé: antologia contemporânea da poesia negra brasileira, 1982)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Zumbi

As palavras estão como cercas
em nossos braços
Precisamos delas.
Não de ouro,
mas da Noite
do silêncio no grito
em mão feito lança
na voz feito barco
no barco feito nós
no nós feito eu.
No feto
Sim,
20 de novembro
é uma canção
guerreira.

(Abelardo Rodrigues - Cadernos Negros, os melhores poemas)