Quem sou eu? que importa quem?
Sou um trovador proscrito,
Que trago na fronte escrito
Esta palavra — Ninguém! —
(A. E. Zalvar — Dores e Flores)
Amo o pobre, deixo o rico,
Vivo como o Tico-tico;
Não me envolvo em torvelinho,
Vivo só no meu cantinho:
Da grandeza sempre longe,
Como vive o pobre monge.
Tenho mui poucos amigos,
Porém bons, que são antigos,
Fujo sempre à hipocrisia,
À sandice, à fidalguia;
Das manadas de Barões?
Anjo Bento, antes trovões.
Faço versos, não sou vate,
Digo muito disparate,
Mas só rendo obediência
À virtude, à inteligência:
Eis aqui o Getulino
Que no pletro anda mofino.
Sei que é louco e que é pateta
Quem se mete a ser poeta;
Que no século das luzes,
Os birbantes mais lapuzes,
Compram negros e comendas,
Têm brasões, não — das Kalendas,
E, com tretas e com furtos
Vão subindo a passos curtos;
Fazem grossa pepineira,
Só pela arte do Vieira,
E com jeito e proteções,
Galgam altas posições!
terça-feira, 7 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
REGISTROS DO SARAU ENEGRESCÊNCIA - EDIÇÃO MARÇO
Registros da edição de março do Sarau Enegrescência, na Casa de Angola Na Bahia, em 28/03/2015. Além dos recitais poéticos, tivemos a presença da Sandra Muñoz, Coordenadora da Casa Cristal Lilás da Bahia, que promove a prevenção e o enfrentamento à violência contra a população LGBTT. Agradecemos aos presentes e já convidamos todxs para a próxima edição no dia 18/04.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Malditas sejam todas as cercas
Há quem não veja,
há quem não queira.
Mas há de se saber que
os séculos e o sangue,
em seu gotejar,
queimarão todas as cercas.
Há de se saber que
as estacas e os arames,
os espinhos e os limites,
serão queimados
para mover a locomotiva do novo mundo.
Os muros e todo o concreto
não mais se sustentarão.
As ruínas dos castelos
provarão que tudo será o povo
E o povo será tudo.
Maldito seja este velho mundo,
incoerente, moribundo e caduco.
(Caio Prata)
há quem não queira.
Mas há de se saber que
os séculos e o sangue,
em seu gotejar,
queimarão todas as cercas.
Há de se saber que
as estacas e os arames,
os espinhos e os limites,
serão queimados
para mover a locomotiva do novo mundo.
Os muros e todo o concreto
não mais se sustentarão.
As ruínas dos castelos
provarão que tudo será o povo
E o povo será tudo.
Maldito seja este velho mundo,
incoerente, moribundo e caduco.
(Caio Prata)
Luta negra
Cabelo crespo,
cabeça cheia.
Pele preta,
orgulho forte.
Emaranhados de resistência
em pequenos cachos de proteção.
Atabaques,
Erês astutos.
Agogôs,
Odoyá às águas.
Pés descalços varrendo os ares
Em lutas de arte e dor.
Lábios grossos,
fala firme.
Antigas crenças e patuás.
Para cada pé há uma pedra,
mas não é à toa que comecei a andar.
Calunga
instrumento-me
Omulú
escarpado
além
das úlceras
descascando
os
corpos fechados
habito
o
refúgio doloroso
dos
inerciados
nos
pomposos carneiros
no
escaldante purgatório
prevalecido
em
angústias
desosso
as cactáceas
vibrações
fulgurando
adágios
na
encruzilhada
dos
desamparos
conduzo
os
rejeitados
ao
Senhor das Moscas
Akangatu
desbravo o enigma
dos 13 ciclos lunares
que se escondem
dos 13 ciclos lunares
que se escondem
no caracol vertebral
- a gestação lacrimeja
no totem da origem -
rompo auroras
com o puro rito
da saudação em brados
evocando os ancestrais
no totem da origem -
rompo auroras
com o puro rito
da saudação em brados
evocando os ancestrais
quarta-feira, 1 de abril de 2015
O teu estilo afro
O teu estilo afro-moçambicano
Conquistou à ambição da minha contemplação
Ele conseguiu encantar o meu lado mais céptico
Com a sua genuinidade e envolvência remeteu-me às origens
Tu és o que de mais belo a natureza pariu
És a essência da água, a melodia dos pássaros
És o gargalhar das montanhas em tempos chuvosos
És o desabafar do vulcão em soluços eruptivos
Sim, tu, menina de sorriso tímido atrevido
Sim, tu, dona de um gingar envolvente
Sim, tu encantas meu mundo com teu sorrir rítmico
Oh viúva branca de pele negra da raça de cor de arco-íris
Oh singela extravagancia machanganamente fashion
Revelaste-te o ar ao gosto do sopro do vento no assobio de um coração alegre
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